Low-Carb no Brasil é Exemplo para Médicos do Canadá

Recebi essa grande notícia publicada recentemente por uma seguidora que mora no Canadá e não poderia deixar de compartilhar com vocês.

Recentemente cerca de 200 médicos e profissionais de saúde aliados no Canadá assinaram uma carta aberta ao governo pedindo uma reforma urgente e radical de orientações nutricionais para incluir dietas de baixo carboidrato.

Löffelmann diz que é porque o guia alimentar do Brasil é “tão perto de perfeito que não podemos esperar para obter”.

Este artigo foi livremente traduzido do site Survive Through. O original, em inglês, pode ser lido aqui.

Tradução por Hellena Guimarães

Em favor da Low Carb: Médicos canadenses se levantam contra os dogmas!

Isso é importante: aproximadamente 200 médicos e profissionais de saúde aliados no Canadá assinaram uma carta aberta ao seu governo clamando por uma urgente e radical reforma das diretrizes nutricionais para incluir dietas low-carb.

Eles dizem que autoridades disseram aos canadenses para seguirem diretrizes por quase 40 anos. Durante esse tempo, doenças relacionadas à nutrição, tais como obesidade, diabetes e doenças cardíacas, aumentaram nitidamente. Os médicos também estão preocupados com o grande aumento nas taxas de obesidade e diabetes infantis.

Eles dizem que a evidência não dá suporte ao convencional conselho de dietas baixas em gordura. Na verdade, dizem que isso piora os fatores de risco de dietas cardíacas. Eles dizem que aqueles responsáveis devem ser livres para compilar diretrizes para dietas sem a influência das indústrias farmacêutica e alimentícia. Eles querem que as diretrizes promovam a low-carb como “ao menos uma segura e efetiva intervenção” para as pessoas com obesidade, diabetes e doença cardíaca.

De fato, os signatários da carta clamam para que os principais conselhos médicos incluam a low-carb, gordura natural e saudável. Aqui está mais desse poderoso desafio dos médicos à ortodoxia.

É uma desafiadora iniciativa, visto que alguns signatários já foram ridicularizados e atacados por estabelecimentos por causa de suas visões em low-carb. Existem ainda bons exemplos em outros países de médicos que ousaram desafiar dogmas e se levantarem contra poderosos interesses. Neste caso, provavelmente há segurança nos números.

Os dirigentes da carta são a anestesiologista Dra. Carol Loffelmann e a patologista anatômica Dra. Barbra Allen Bradshaw. Eles endereçaram a carta para o Health Canada, para o Ministro Federal da Saúde e para todos os Ministros Provinciais da Saúde. Clique aqui para ler a Carta Aberta.

Nela, eles criticam os mais duros pilares sobre os quais as recomendações oficiais de dietas se baseiam. Um desses pilares é a tão querida hipótese de que gordura saturada causa doenças cardíacas. Outro pilar é a teoria CICO (calories-in, calories-out – calorias ingeridas, calorias gastas) da obesidade – essa é a que prega que a obesidade é o resultado de gula e preguiça.

A carta inclui um “manifesto” de Pontos Para a Mudança que envolve o trabalho da US Nutrition Coalition (clique aqui para ler o trabalho da Coalition) e da UK Public Health Collaboration. Dentre esses pontos, estão que as diretrizes deveriam:

  • Comunicar claramente ao público e aos profissionais da saúde que a evidência não mais apoia a dieta baixa em gorduras e nem que ela pode piorar os fatores de risco de doenças cardíacas;
  • Parar de aconselhar as pessoas a substituírem gorduras saturadas por óleos vegetais poli-insaturados para prevenir doenças cardiovasculares;
  • Honrar a comida “de verdade”, ou seja, comidas completas e não processadas, que incluem laticínios integrais e carne vermelha regularmente;
  • Reconhecer a controvérsia sobre o sal e evitar a recomendação geral de que “menos é melhor”;
  • Não dar ênfase ao exercício aeróbico como uma ferramenta de perda de peso. Em outras palavras, não sugerir que as pessoas conseguem controlar seu peso sustentavelmente simplesmente por criar um déficit calórico;
  • Envolver uma completa e compreensiva análise dos mais rigorosos dados disponíveis;
  • Promover as dietas low-carb como pelo menos uma intervenção segura e eficaz para pessoas lutando contra a obesidade, diabetes e doenças cardíacas, e
  • Oferecer uma verdadeira gama de dietas que atende às diversas necessidades da população.

Curiosamente, a carta promove o Brasil como um bom exemplo. Loffelmann diz que isso se dá porque o guia dietético do Brasil é “tão próximo à perfeição quanto nós podemos esperar chegarmos”.

“Todo canto do mundo, toda cozinha pode se adaptar”, ela diz. “Coloca-se a comida e o comer de volta ao centro da diretriz e não requer números, porções ou matemática.”

Também, eliminar a comida processada moderna é o mais importante, ela diz, seguido por comer “dentro de sua tolerância aos carboidratos”.

Loffelmann e Bradshaw idealizaram a carta após a reunião do Senado Canadense e do relatório sobre a obesidade no país no ano passado. Dentre os que o Senado convidou para se apresentarem, estava a jornalista americana científica investigativa Nina Teicholz. Teicholz fez uma apresentação de uma hora de duração baseada em 10 anos de pesquisa para seu inovador livro, The Big Fat Surprise.

O relatório do Senado fez “algumas recomendações muito sãs a respeito do futuro das diretrizes alimentares”, diz Loffelmann.

“Empolgou-nos”, diz Bradshaw, “porque eles propuseram justamente as coisas que vão transformar a saúde do Canadá”.

Dentre as conclusões do relatório: “o guia de alimentos do Canadá não mais é efetivo em fornecer orientação nutricional aos canadenses”. Como exemplo, o relatório disse que as autoridades frequentemente apresentam suco de frutas como algo saudável, mas é “pouco mais do que um refrigerante sem as bolhas”.

Isso levou Loffelmann e Bradshaw a organizarem uma comunidade social que começou pequena – com apenas três membros – mas cresceu rapidamente e além de suas expectativas.

A comunidade consiste agora em aproximadamente 1600 médicos e profissionais da área da saúde. Essas são pessoas através do Canadá que estão comendo comida de verdade ou low-carb ou aprendendo sobre isso. Como resultado, muitos estão agora ensinando sobre as comidas inteiras, maneiras low-carb de alimentação às suas famílias, amigos e pacientes.

Histórias de sucesso têm sido extraordinárias: membros familiares e colegas superaram a diabetes tipo 2 e complicações da obesidade com simples mudanças na dieta. Melhor ainda, eles fizeram isso sem se sentirem famintos o tempo todo.

As histórias “tocaram-nos profundamente”, diz Bradshaw. “Nós percebemos que construímos uma comunidade forte e poderosa que deseja impactar mudanças em um nível maior”.

O objetivo da carta é simples, dizem Loffelmann e Bradshaw: as diretrizes devem mudar para mudarem a saúde dos canadenses.

Outro signatário é o radiologista de diagnóstico e de não intervenção vascular Dr. Vajid Khan, que trabalha no Bluewater Health e é um professor adjunto na Western University.

Ele diz que muitos médicos estão cientes da necessidade de mudança. “Eles sabem que a prevenção é a melhor forma de medicina”, diz Khan. Eles também sabem que a prevenção de doenças é a única forma de evitar o colapso iminente do sistema de saúde do Canadá e a deterioração econômica relacionada.

“A menos que façamos algo sobre isso coletivamente, nossos entes queridos, nossos pacientes e nós mesmos continuaremos a sofrer com doenças e enfraquecendo a qualidade da saúde”, diz Khan. “Eles também morrerão prematuramente por inúmeras aflições provocadas pela nutrição inadequada ou prejudicial”.

As recomendações da carta são breves e fáceis de serem entendidas, ele diz. Ela também dá as evidências científicas para embasarem as recomendações.

“Se você pretende fazer uma mudança positiva na sua saúde, esse é um excelente lugar para começar”, diz Khan. “Comece hoje”.

Num melhor cenário, Loffelmann e Bradshaw esperam que os responsáveis pelas próximas diretrizes dietéticas leiam a letra cuidadosamente; que eles levem em consideração a crise real que enfrente a nação: custos crescentes dos cuidados de saúde e o sofrimento da população; e que eles aceitem que essa crise é, em grande parte, devido às diretrizes como estão escritas atualmente.

“Eles esperançosamente concordarão que esse é o momento para uma ação drástica”, diz Bradshaw.

Loffelmann diz: “Eu espero que todos leiam-na e considerem-na de coração”.

Ambas esperam que a carta seja “um trampolim para mudar a face da educação médica no Canadá”. Elas esperam que o currículo foque em prevenção, e não somente no tratamento, de doenças crônicas da dieta. Médicos praticantes também necessitam de educação no tratamento dietético de doenças, uma vez que isso carece no sistema atual.

Loffelmann espera que todos leiam o livro do nefrologista canadense Dr. Jason Fung, The Obesity Code. Particularmente, ela espera que ele se torne leitura obrigatória para os estudantes de medicina.

Junto às suas esperanças, Loffelmann e Bradshaw têm medos não-tão-secretos. Num pior cenário, elas dizem que é possível que a carta também possa desaparecer no estabelecimento médico. Consequentemente, aqueles em posição de poder e influência poderiam simplesmente ignorá-la. Números suficientes na comunidade médica poderiam bloquear o ponto de mudança, talvez o suficiente para manter o status quo.

Sempre há a possiblidade de que as diretrizes de baixa gordura e alto carboidrato permaneçam como paradigmas dominantes. Bradshaw diz que isso resultará em exposição contínua ao açúcar, comidas altamente processadas e refinadas “e uma população cada vez mais doente”. Loffelmann diz que elas fizeram muitos céticos mudarem seus pensamentos. Entretanto, ainda enfrentam “uma grande burocracia que o velho e falho paradigma ainda governa”.

Dissonância cognitiva entre os médicos é outro obstáculo. Esse é o termo psicológico para o desconforto extremo que acontece quando alguém tem que enfrentar evidências convincentes que contradizem uma crença profundamente mantida. Como consequência, a crença geralmente ganha da evidência.

“Nós temos que fazer as coisas certas dessa vez”, dizem Bradshaw e Loffelmann, “porque, se não fizermos, causará sofrimento e mortes desnecessárias”.

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Adriana Araújo, 41, coach de emagrecimento e estudante de nutrição, mineira de Uberaba, adepta do Low Carb desde 2014. Curiosa por nutrição, saúde e gastronomia. Emagreci 35kg sem sofrer e sem passar fome! Aqui você vai encontrar dicas e relatos sobre minha rotina na dieta low carb, receitas e muito mais. Seja bem vindo!

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