O que é fome?

O que é fome?

Você tem fome de quê?

Café da manhã, almoço, café da tarde e jantar!!! Por muito tempo seguimos um protocolo que, para mim, vai contra ao que chamamos de necessidade fisiológica. Quem decide a hora de se alimentar é você, é o seu corpo naturalmente sinalizando que está com fome, assim como sinaliza a necessidade de beber água, ir ao banheiro ou hora de dormir. Por isso esse papo de comer de 3 em 3 horas é balela e não existe sequer um estudo que comprove que essa estratégia seja eficiente.

Hoje vamos entender como muitas vezes ao dia comemos apenas por ser “hora de comer” e não por estarmos realmente com fome!

Vamos abordar aqui temas que são primordiais para uma estratégia de emagrecimento e de autoconhecimento. Se autoconhecer fará você tomar o controle da sua alimentação e, de uma vez por todas, alcançar seus objetivos.

Uma das principais características da dieta baixa em carboidratos e alta em gorduras é a redução natural do apetite (fome) – eis aqui o ponto chave que vai facilitar o processo de se autoconhecer. Então, se na primeira semana você sente necessidade de alimentar-se 4 ou 5 vezes por dia, da terceira semana em diante isso acaba sendo reduzido para 2 ou no máximo 3 vezes ao dia. É importante respeitar essa sinalização de fome e JAMAIS comer se ela não estiver presente.

Mas a pergunta é: “como vou saber se estou com fome de verdade, se é apenas “horário de comer”, “vontade de comer” ou até mesmo ansiedade?”.

Excelente pergunta!

A fome de verdade é uma sinalização tão forte como a vontade de urinar ou evacuar! Quando você sente vontade de ir ao banheiro, fica em dúvida sobre a veracidade da sensação? Não! Você tem certeza! Na fome isso também acontece, ou seja, se há dúvidas, pode apostar: não é FOME!

Na fome a barriga ronca, o estômago parece um “buraco” e às vezes até dói! É isso que deve sinalizar se você vai ou não comer. NUNCA coma simplesmente porque “está na hora”, por estar sem fazer nada, por estar feliz ou triste, vendo um filme ou até mesmo “porque é saboroso”.

Quanto devo comer?

Seu corpo é extremamente sábio, ele está pronto para guiar suas escolhas, caso você deixe-o fazer isso! É ele quem vai sinalizar um importante ponto da alimentação: A SACIEDADE.

Você deve comer até sentir-se saciado e NUNCA mais que isso.

A saciedade é uma sinalização que está apagada na maioria de nós, isso porque desde crianças somos ensinados a não dar ouvidos a ela. Nossas mães e avós nos diziam que deveríamos “comer tudo que estava no prato” e não apenas o necessário para sanar a fome. Por isso, para identificar quando parar de comer, nas primeiras semanas você precisará ficar atento. No primeiro sinal de saciedade, PARE! Normalmente isso acontece na primeira respiração profunda durante a refeição, é aquele momento em que você se ajeita na cadeira, toma um gole de água para retornar a refeição, neste momento, já poderíamos parar. Não confunda SACIEDADE com PLENITUDE, na saciedade não há sensação de “estufamento” ou desconforto, já na plenitude há aquela sensação de “estou cheio”!

Uma dica: a cada garfada, solte o talher, coloque-o sobre a mesa e mastigue devagar, aprecie o alimento. Não coma assistindo TV, mexendo no celular ou fazendo outra coisa. Deixe seu corpo sentir e entender que você está se alimentando e acredite: seu cérebro será avisado quando for hora de parar.

Não seria mais seguro contar calorias?

Seria errado dizer que contar calorias não importa, ela pode sim ser necessária em um certo ponto, mas inicialmente não. No momento, nossa maior preocupação será diminuir a sinalização de insulina (o hormônio armazenador de gorduras), para isso devemos comer menores quantidades de carboidratos ao longo do dia, auxiliando o aumento na requisição de gorduras estocadas para a produção de energia, e assim devolver ao nosso corpo a sua autonomia.

É lógico que não podemos acreditar que as quantidades não influenciam em nada. Se você, mesmo dentro dos alimentos sugeridos, comer a mais que a sua saciedade, tem altas chances de não obter sucesso. Como evitar que isso aconteça? Simples, ouvindo o seu corpo! Seu organismo é capaz de determinar quando e quanto comer, não deixe de dar importância a isso! Não coma apenas porque é a “hora do almoço” ou porque “tenho tempo agora”.

E em algum momento teremos que delimitar quantidades de alimentos e valor calórico do plano alimentar?

Depende!

Se comendo naturalmente você estagnar a perda de gordura antes do que pretendia, sim, pode ser necessário um plano alimentar com um déficit calórico, mas até lá, apenas colha os frutos de sua fisiologia, que nunca o guiará à obesidade, sobrepeso ou doenças adquiridas por maus hábitos alimentares.

A única parte que pode prejudicar esse processo é a sua mente! Não deixe que ela o engane, lembre-se: fome é quando a barriga ronca e saciedade não é o mesmo que plenitude!

Comendo apenas 2 ou 3 vezes ao dia, não vou perder massa magra?

Toda e qualquer dieta em que haja perda significativa de gorduras pode acarretar alguma perda de massa magra. Nas dietas hipocalóricas tradicionais (aquelas em que você come menos do que realmente precisa para ativar a perda de gordura), isso ocorre de forma intensa. No entanto nas dietas de baixo carboidrato, a maior quantidade de proteína e os corpos cetônicos (provenientes da quebra de gordura que você ativará) são dois fatores que reduzem essa perda de massa magra.

A prática de musculação já é capaz de evitar completamente a perda de músculo e, eventualmente, permite o ganho de massa magra ao mesmo tempo em que perde massa gorda. Nenhuma prática esportiva tem tanto resultado na manutenção e ganho de musculatura como a musculação!

Hoje em dia faço musculação 4x por semana – alternando um dia de membros inferiores e outro de membro superiores – e nunca perdi massa magra durante meu emagrecimento. Nos primeiros 8 meses da dieta, não pratiquei atividades física nenhuma, apenas foquei na alimentação baixa em carboidratos e rica em gorduras boas – quando estamos em Low-Carb a energia vinda dos corpos cetônicos evita o catabolismo – mas, se ainda assim, você tiver receio de perder massa magra inicie a musculação pelo menos 3 vezes por semana e fique tranquilo.

Considerações finais: o que mais aprendi depois de aderir à dieta low-carb foi o autoconhecimento. Eu estava longe de ter o controle sobre mim mesma, afinal com os picos constantes de insulina a fome não me deixava em paz, mas com essas simples dicas juntamente a uma dieta baixa em carboidratos você poderá começar a ouvir seus instintos e nunca mais deixar sua mente te sabotar. Lembre-se: a fome é um instinto fisiológico como a sede, como a vontade de urinar ou evacuar, como o sono… Ou seja, se tem fome, coma até a saciedade!

Eu consegui e sei que você também consegue. Conte sempre comigo e boa sorte!

Sugestões de leituras:

Conheça minha história completa com a low carb e como emagreci 30kg sem passar fome

Por quê Engordamos?

O que é uma dieta Low Carb?

Guia para iniciantes da Dieta Low Carb

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Adriana Araújo, 41, coach de emagrecimento e estudante de nutrição, mineira de Uberaba, adepta do Low Carb desde 2014. Curiosa por nutrição, saúde e gastronomia. Emagreci 35kg sem sofrer e sem passar fome! Aqui você vai encontrar dicas e relatos sobre minha rotina na dieta low carb, receitas e muito mais. Seja bem vindo!

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